quinta-feira, 5 de novembro de 2009

De quem é o jogo?

Depois do que ocorreu nesse final de semana (a carta, a vergonha, a rejeição, o sermão na igreja na missa do dia 2, as palavras da Fê), eu comecei a tentar sair fora, e o primeiro passo foi tirar as duas imagens do alcance da minha vista. Até porque, de início, a rejeição me causou a impressão de que me tiraram algo, de novo. Parece que se foi, de novo. Só que, ao dar o primeiro passo, parece que tudo mudou e que agora me persegue, invisível, que paira sobre mim, que flutua ao meu lado, nas minhas costas, à minha frente, que me acompanha o tempo todo. Que está por aí e eu vou dar de cara com você a qualquer momento... algo que eu queria sentir antes, e consegui agora, justo agora, que não quero mais. E sinto que ri de mim, cruelmente, como a dizer "você não queria brincar? Agora aguenta!". Como no jogo de gato e rato, como se o gato estivesse prendendo o rato pela barriga e levantasse a patinha rapidamente, o suficiente para o rato tirar o corpo debaixo dela, mas antes de sair por inteiro, a patinha do gato desceu e prendeu o rato novamente, pelas pernas. Como se quisesse que eu me liberasse, mas assim que viu que eu podia sair, resolvesse me prender novamente, porque a ideia de ser esquecido não parece suportável. Para eu não me aproximar demais, mas para não ficar muito longe também. Para eu ficar um pouco mais distante, e sofrer menos, mas não me afastar o suficiente para que o esqueça e deixe de sofrer por completo. É mais um joguinho? E se é mais um joguinho, é um joguinho seu ou um joguinho da minha cabeça?

Duas pequenas intuições

Mimado... é... mimado. Mimadinho. Filhinho de mamãe. Daqueles que a mãe não quer ver o que é negativo no filhote. O sumiço do cigarro é típico, até vejo a cena de uma mão feminina tirando aquilo e ainda dizendo: "quem foi que colocou esse lico aqui?" Rá!!!
Me ocorre que se não fosse assim, e limites fossem impostos, talvez nada tivesse acontecido. Fechar os olhos para defeitos de filhos pode ser grave, não colocar limites também. Me parece o caso...
E aposto que, depois de tudo, haverá um cadeado. Para que ninguém mais o influencie negativamente com cigarros e outras porcarias como cartas malucas. Porque se trata de um pobrezinho altamente influenciado pelas más companhias, né? Tadinho, tão ingênuo e indefeso aos olhos de mamãe... Ela deve ser uma sogra com s maiúsculo.

domingo, 1 de novembro de 2009

Não daria certo

Hoje, dei de cara com um maço de cigarros Hollywood e esse pequeno pacote foi mais uma das muitas indicações de que eu e você... Não era pra ser... Não, não era, definitivamente. Você, testando limites, se divertindo. Eu, sendo certinha, politicamente correta, tentando agradar gregos e troianos.

(Estou na minha terceira lata de cerveja, sem ter sentido grandes efeitos até agora. Acho que terei de ir pra quarta, porque a anestesia não tá funcionando dessa vez. Bem, parece que eu parei de chorar. Mas continuo sentindo uma dor tão forte quanto naquela época. Quarta latinha iniciada, se Deus quiser, coma alcóolico sem socorro e eu nunca mais volto aqui...)

Você é um mistério. Mas não me surpreendi vendo o Hollywood. Combina com você, de qualquer forma. Você, audacioso, corajoso, voluntarioso. Eu, medrosa, encolhida, comum. O que teria sido de mim, com você? Eu teria ido pelo seu caminho, tão contrário a tudo o que me fizeram acreditar que era o certo? Hoje eu seria diferente? Acho que sim. Acho que teria sofrido, teria comido o pão que o diabo amassou com você, mas hoje eu seria mais forte, mais esperta, e talvez acreditasse um pouco mais em mim por saber que eu podia suportar muita coisa ruim. Você teria me dado essa lição; ao invés disso, me ignorou. Sua lição foi: eu sou um nada. Como eu já havia tido essa lição de várias pessoas, em várias ocasiões, não me acrescentou em nada você me desprezar.

Talvez a gente tivesse sido bons amigos, já pensou nisso? Talvez eu tivesse eu botado um pouco de juízo na sua cabeça, e talvez você estivesse aqui ainda hoje porque tinha uma politicamente correta do seu lado, nem que fosse só por amizade. Já pensou nisso? Talvez você tivesse me ensinado a levar a vida menos a sério, ou a arriscar mais. Já pensou nisso?

Talvez eu tivesse realmente aprendido a amar alguém pelos defeitos e qualidades, e não apenas pelas coisas boas. Talvez você me mantivesse sua amiga, mas sempre com aquela esperança de um dia, quem sabe... e eu acabasse como sua madrinha de casamento nesse lance de amizade, sofrendo porque estava ali, do seu lado, amiga do peito, e só. Eu seria muito diferente, se você tivesse dado chance de algo acontecer entre a gente. E talvez sua vida tivesse sido outra, e hoje a gente estivesse discutindo isso na mesa de um bar...

Eu queria te odiar por aquele pouco de humilhação que eu sofri. Eu queria muito, mesmo, detestar você, muito e muito e muito, até chegar ao ódio. Mas só consigo ouvir Estranged, do Gun´s, que está no repeat, e beber e chorar. Eu sempre quis que meu orgulho falasse mais alto, que eu entendesse sua frase como uma dose cavalar de desprezo por mim. Sua forma de olhar e de se divertir às minhas custas, à distância... Imagino o quanto você teve ter rido de mim, a ridícula, e tirado onda, comentando com seus amigos sobre a idiota aqui... Imagino tudo que posso para te odiar, te detestar. E eu só choro e me pergunto, pra que tudo aquilo, de que te valeu tudo aquilo...

"An now that you've been broken down
Got your head out of the clouds
You're back down on the ground
And you don't talk so loud
An you don't walk so proud
Any more, and what for"

Pra que toda a beleza, e o ar superior, e as pessoas em volta, e a diversão e os planos? E ao mesmo tempo me é insuportável a ideia de que você não está por aqui, dormindo, comendo, fumando, amando, odiando, trabalhando... acordando todo dia para ir ao trabalho, se aborrecendo com as chatices do cotidiano, talvez sendo sacana com sua mulher, criando um filho... Eu estaria melhor se soubesse que você está por aí, mesmo que não comigo, mesmo que não estando feliz, mesmo que longe do meu alcance como sempre você esteve.

(A cerveja começou a fazer efeito, finalmente...)

Eu sempre tenho a impressão de que você é um daqueles casos em que Deus achou melhor não realizar um desejo meu porque eu sofreria muito mais se Ele atendesse meu pedido. A gente tem de tomar cuidado com o que deseja porque o desejo pode se tornar realidade. Tem coisas que não eram pra ser. Você não era. Acho que eu estaria muito pior hoje, se tivéssemos ficado juntos naquela época. Talvez você fosse me desviar do meu caminho, sei lá... Mas, mesmo consciente disso, eu não consigo me conformar.

Sem um beijo, um abraço, nada. Só olhares, minha mão segurando seu braço... eu não posso me satisfazer só com isso. E eu preciso saber quem é você pra entender por que estou tão presa a você. Não é só a minha insanidade, meus complexos, traumas. Sei que tem algo maior, e só sabendo quem você era eu acho que poderei entender. Daí a carta. Mas acho que ela não será lida, né? Mais um sinal seu de que eu devo ficar longe... como sempre... Mas você.... "you don't talk so loud, and you don't walk so proud, any more". E afinal, o que você ganhou sendo assim, hein?

E eu:
"I'll never find anyone to replace you
Guess I'll have to make it thru, this time
Oh this time
Without you"

E como pode, uma pessoa que eu não conheci me fazer sofrer e querer morrer desse jeito, tantos anos depois?

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Será?

Eu coloco imagens diferentes como papel de parede do meu laptop. De homens que eu gosto; no geral, famosos. Mas eu consegui uma foto de M., e não vou dizer como, porque é coisa de gente doida fazer o que eu fiz pra ter a foto. Definitivamente não é o ato do qual mais me orgulho na vida, pelo contrário, morro de vergonha. E, apesar da vergonha, eu botei a foto no celular e no laptop, e ele agora tá comigo onde quer que eu esteja - desde que eu não esqueça o celular, o que ocorreu ontem e me deixou maluca porque eu fiquei sem a foto.

Meu sobrinho, do alto dos seus 3 anos, já sabe mexer em computador e até em internet. A tia ensinou algumas coisinhas, o pai dele outras, o avô outras. E ele mexe no meu computador, claro, pra ver fotos de caminhão no google e para jogar os jogos do Discovery Kids.

Eis que ele vai mexer no meu computador e se depara com a foto de M... ele nunca fez comentário nenhum sobre nenhuma das fotos anteriores que já viu, de diferentes homens, no meu computador.

Mas ele olha essa foto e diz:
- Olha, titia! Que moço bunitãaaaaoooo! (sei lá onde ele aprendeu a palavra bonitão...)

Eu respondo:
- É, ele é mesmo lindo.

Ele olha de novo a foto atentamente, aponta para o rosto na tela, e diz:
- Ele gosta de você, titia!

Eu suspiro, dou um dos sorrisos mais tristes que já dei na vida, passo a mão na cabeça do meu sobrinho e falo, em voz bem baixa:
- Será mesmo?

Meu sobrinho não viu as lágrimas correndo.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Pré Natal

Eu já comecei a comprar presentes para mim mesma, apesar de ainda faltar muito tempo para o Natal... Comprei o livro novo do Ayrton, escrito pelo Hilton, e o livro é lindíssimo. Tem cópias de credenciais, cartas, adesivos, certidão de nascimento, o diabo... Maravilhoso! Eu amei, e nem comecei a ler o livro ainda... rsrs
O outro presente é mais barato, mas não menos importante. Eu sempre quis ter roupas da Pakalolo, marca comprada pela Marisol e que voltou ao mercado recentemente, com roupas e acessórios infantis e para "aborrecentes". Quando a grife era um sucesso, na virada dos 80 para os 90, eu era uma "aborrecente" e podia usar Pakalolo, mas não tinha grana. Agora eu tenho grana, mas não tenho mais idade para usar Pakalolo. Contudo, resolvi mandar a idade a merda. Comprei uma mochila liiiiiiiiiiiiiiiinnnnnndddaaaaa, branca, cheia de brilhinho, com um coração, escrito Angel e Precious, e também escrito Pakalolo em letra de mão. Tinha outras, rosinhas com carinhas de boneca pra todo lado, mas eu não sou paquita, então quando vi essa branca, morri de amores por ela. Agora estou caçando uma calça jeans e uma camiseta Pakalolo. E precisa ser uma camiseta escrita Pakalolo na frente, porque eu preciso ler o nome da grife. Quero deixar claro que sempre detestei grife e achei estúpido esse lance de a gente pagar para fazer propaganda pra alguém. Meu lance com a marca Pakalolo não tem relação coma imagem da marca, com o preço dos seus produtos, com status que ela possa dar a quem usa, mas com uma pessoa que gostava de usar Pakalolo. É só por isso que sou louca por Pakalolo. Aliás, eu era e continuo sendo mesmo uma louca por Pakalolo. E não estou me referindo à grife...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A própria morte

Dizem que sonhar com a própria morte é bom sinal... Não sei. Não acho que acredite nisso. Mas essa semana eu sonhei que havia morrido. E, por incrível que pareça, acordei muito bem, como há muito não me sentia. Tranquila, em paz, descansada. Sonhar com a morte, geralmente, é algo que todo mundo chama de pesadelo. Mas não foi o meu caso. Eu estava numa casa que parecia a minha. Era um sobrado. Mas eu não via nada, estava tudo absolutamente na escuridão, apenas uma luz amarelada como a luz de vela iluminava fracamente o meu rosto, até a altura dos meus ombros e o colo. E mesmo na escuridão total eu conseguia me mover como se tudo estivesse iluminado ou se eu conhecesse perfeitamente a casa. Eu ouvia uma voz, que não sei de quem era e nem se era de mulher ou homem - acho que era uma mulher. A voz era baixa e eu ouvia apenas algumas das palavras, o suficiente para entender o que eu devia fazer. Lembro da voz me mandar subir. Eu fui para o andar de cima, percorri um corredor e cheguei a um quarto. A voz mandou eu me deitar. Não sei no que me deitei, parecia uma cama, mas podia ser um caixão, não havia tecido algum - lençol, travesseiro, colcha, cobertor, nada. Eu me deitei e a voz disse que tudo iria acabar bem, que eu não devia me preocupar. Fiquei um tempo ali deitada, sozinha, a voz parecia ter me abandonado. Senti que ela estava em outros cômodos, provavelmente orientando outras pessoas e fiquei esperando ela voltar. Ela voltou e disse que tinha chegado a minha vez. Pediu que eu respirasse normalmente, fechasse os olhos e não os abrisse mais. Eu fechei e tudo ficou na completa escuridão. Deixei de ver meu rosto iluminado pela luz amarelada nesse momento. Ficou um silêncio completo ao meu redor e eu só via tudo preto, preto mesmo. Não senti medo, dor, frio, nada. Apenas o silêncio. E a última coisa que eu ouvi a voz dizer foi: pronto, acabou, é isso. E eu fiquei lá, na completa escuridão, sem ver ou sentir ou ouvir mais nada. A morte me pareceu algo muito tranquilo... Tão tranquilo que não me incomodaria de morrer hoje.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O presente

Desde muito pequena, acho que desde que me lembro de ser gente, eu sempre, sempre, sempre me senti rejeitada. Antes mesmo de me sentir feiosa, me sentia rejeitada. Por todo mundo: pais, irmão, família, colegas de escola. Eu sempre fico pensando de onde veio esse sentimento de rejeição, porque eu não me lembro de como ele nasceu, não tenho a menor ideia de onde ele veio. E sei que dele veio o complexo de inferioridade. Se um dia eu achar essa resposta, talvez eu me torne uma pessoa mais equilibrada e menos infeliz. Mas do jeito que a coisa tá indo, acho que me acabo antes. Novamente estou bebendo, ou melhor, sem eufemismo... estou é enchendo a cara, no meio da semana, e acho que já posso quase me classificar como alcóolatra - eu que não bebia nada com álcool, nem vinho ou champanhe, até os 30 anos.

Sem coragem para acabar com tudo de uma vez, resolvi ir me acabando aos poucos. Vario de momentos de sonhos impossíveis com coisas impossíveis, totalmente fora da realidade, mas que amenizam as coisas e me fazem continuar, para um mergulho em uma dor que não tem razão de ser. Tenho sentido muito, muito, muito frio, a ponto de dormir com dois edredons e um cobertor de lã, meias e pijama de flanela... isso em plena primavera. Tá fazendo frio, mas será que é pra tanto? Não tenho mais ânimo pra nada. Uma das coisas que me deixava relativamente bem por um espaço maior de tempo - e esse espaço maior de tempo são dias - era ficar com meu sobrinho. Mas ultimamente nem esse "remédio" tem surtido efeito por um período maior do que 24 horas.

Na verdade, tenho sentido a maior parte do tempo uma mistura de tristeza muito grande, com revolta por tudo ter ocorrido da forma como ocorreu (por que você e não eu?, sempre te pergunto isso...), e uma enorme frustração pelo que aconteceu e pelo que podia acontecer hoje e não é possível pelo único fato de eu não poder voltar no tempo nem ter como recuperar, de alguma forma, o tempo perdido. Ou pelo menos tentar recuperar. Tudo está fora do meu alcance, totalmente fora. É frustrante.

E depois eu sinto uma raiva enorme, profunda, daquelas que ficam remoendo o coração até triturar ele inteiro, em pedacinhos. Uma raiva daquelas trancadas na garganta e que, se um dia explode, sabe-se lá Deus como será, pra quem vai sobrar e quais consequencias trarão. Hoje, esse é meu maior medo: eu sei que essa raiva, que é o sentimento mais forte de todos e o que eu sinto por mais tempo, vai explodir uma hora. Não sei quando, não sei como, não sei se eu conseguirei identificar essa explosão a ponto de poder controlá-la. Mas tenho medo, menos por mim, e muito mais pelos que estão a minha volta, porque realmente não acho que eu vá conseguir poupar quem estiver ao meu redor. E a última coisa no mundo que eu queria era machucar alguém.